segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Que lugar para as ideologias ?


Quando no fim do século XVIII os representantes aos Estados Gerais de Paris escolheram o lado da sala em que se iriam sentar para dar inicio aquilo que os vindouros deram o nome de Revolução Francesa, nunca poderiam imaginar que, duzentos anos mais tarde alguém se pudesse ainda preocupar com essa inocente opção. Mas o que é um facto, é que desde então, essa divisão entre os que se sentaram à esquerda e os que escolheram os bancos da direita passou a definir as balizas do discurso ideológico.

À época, o que dividia uns e outros era fácil de descortinar os da esquerda eram contra o Ancien Regime, os da direita antes pelo contrário. Hoje infelizmente essa divisão não é assim tão simples.

No meio de uma profunda crise do pensamento político europeu, é urgente voltar a balizar o discurso ideológico.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tempo Perdido.


Espera-se que em Março o Conselho de Ministros aprove nova legislação sobre o sector empresarial local o que significa que inevitavelmente no segundo semestre deste ano a maioria das empresas municipais desaparecerão.

Também por cá vai ser necessário uma restruturação profunda das nossas empresas municipais e já vai sendo tempo de iniciar esta discussão em sede de câmara e assembleia municipal. Na verdade não se compreende que ao fim de dois anos e após uma campanha eleitoral a prometer a extinção de algumas empresas, o presidente da câmara insista em não iniciar este debate.

Entre fusões e extinções, acredito que faz sentido uma empresa municipal que funcione como uma agência de desenvolvimento económico. Não podemos perder mais tempo, porque apesar das dificuldades temos de procurar captar investimento.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Na Câmara de Lisboa

Foi com gosto e honra que aceitei o convite do Dr. Pedro Santana Lopes para coordenar o Gabinete dos Vereadores do PSD na Câmara Municipal de Lisboa. No entanto, estas novas funções não são incompatíveis com os de vereador não executivo na Câmara da Figueira da Foz, onde continuarei a estar presente nas duas reuniões mensais.



O VENDEDOR DE PROMESSAS


«São hoje visíveis no nosso concelho os problemas crescentes relacionados com: as funções económicas da cidade, a fragmentação da malha urbana e a ausência de práticas de cooperação e concertação adequadas, lógicas imobiliárias especulativas, degradação do ambiente físico e social, problemas de mobilidade, o desordenamento e consequente abandono dos espaços rurais, a não utilização de equipamentos e infraestruturas numa lógica de complementaridade e a degradação e abandono do centro histórico da cidade. Enfim, a falta de brilho e a baixa autoestima com que a Figueira da Foz se depara hoje, faz-nos acreditar de novo que pode haver um novo rumo».

É com este pequeno texto que se inicia o programa eleitoral do Partido Socialista às últimas eleições autárquicas. Se era esta a opinião do PS, importa perguntar o que mudou ao fim de dois anos, para além do arrependimento de muitos dos 38% de eleitores que neles votaram. Hoje, o texto do PS ganha uma atualidade inesperada e indesejada.

Quem, como João Ataíde, iniciou a campanha a dizer que «o tempo das promessas está ultrapassado» e a terminou com outdoors prometendo «ciclovias e circuitos pedonais; manuais escolares e rastreios de oftalmologia e dentista gratuitos no 1º ciclo; festival internacional de cinema; gala dos pequenos cantores; festival de música; mundialito de futebol; mundial de surf; devolver o coreto ao jardim; corredor verde e a aldeia do mar», deixava prever que não podia ser levado a sério.

Nem mesmo a situação financeira da Câmara pode servir de argumento porque, apesar de ser grave, era do conhecimento de João Ataíde durante essa campanha. O candidato do PS afirmava então: «quanto mais me inteiro dos dossiers da câmara, mais me preocupo. A prioridade tem que ir para o saneamento financeiro porque a situação financeira da câmara é dramática».

Ou seja, não obstante ser conhecedor da situação financeira do Município, abandonou a ideia de que não faria promessas, para prometer o céu a terra e assim vencer as eleições. Ganhou os votos, não ganhou a confiança. Verifica-se agora, que não tinha a mínima ideia de como poderia cumprir tais promessas, porque nem uma se cumpriu. Aliás cumpriu uma: a da Aldeia do Mar. Efectivamente a cidade está hoje transformada numa aldeia.

O essencial e o acessório

Hoje dedicarei este espaço a um tema nacional e que tem ocupado uma parte do país nas últimas três semanas – a Maçonaria.

Num ímpeto, supostamente moralista e ético, surgiram uns guardiões do templo que exigem em nome de uma ética provinciana e bacoca que os titulares de cargos políticos acrescentem na sua declaração de interesses se pertencem à Maçonaria.

Neste país sempre que surge um escândalo, inicia-se uma discussão paralela para distrair as atenções e surgem impulsos legislativos para nos convencermos que somos muito transparentes.

O País quer é saber se os serviços de informação do estado foram usados para tráfico de influências, ou não.

Chega de hipocrisia e de dar tempo de antena a quem defende transparência para os outros, mas que da sua própria vida pouco se conhece.


P.S.- O meu Post do Jornal "As Beiras" de 16 de Janeiro


Pelo menos para rir com tudo isto pode ver aqui um bom sketch do Herman Jose


Veto de gaveta



“É sempre difícil um órgão dar resposta às propostas que não foram apresentadas por si”, foi desta forma inacreditável que João Ataíde respondeu à denuncia dos vereadores do PSD, que as propostas feitas por este partido em 2010 e apesar de aprovadas, não tiveram seguimento.

No início do mandato ainda seria aceitável que a sua inexperiência autárquica lhe permitisse dar uma resposta destas, mas ao fim de dois anos é inaceitável não ter compreendido que as deliberações de câmara, mesmo que não sejam propostas suas, são para executar.

Pode-se discordar da actual lei eleitoral autárquica e da presença de vereadores da oposição, mas enquanto forem estas as regras tem que se respeitar a vontade do eleitorado, que neste caso concreto não quis dar a maioria ao partido socialista. Que sábio que é o eleitorado…

30 Anos, é muito tempo…



Em 2007 apresentei na Assembleia da República um Projecto de Resolução – aprovado por unanimidade – exigindo do Governo a conclusão das obras do Projecto Hidroagrícola do Baixo Mondego.

Conhecido pelo elevado potencial agrícola, onde a cultura do arroz representa 25% da produção nacional, o desenvolvimento agrícola do Vale tem sido prejudicado por uma rede de drenagem agrícola incipiente e por uma estrutura fundiária desordenada e dispersa.

Em Setembro de 2008 o então Ministro Jaime Silva visitou o Baixo Mondego e prometeu que as obras em falta estariam concluídas em 5 anos. Estamos no início de 2012 e ainda nada foi feito.

Espero que este governo, que considera a agricultura uma prioridade da sua politica económica, faça este investimento que já tem mais de 30 anos de atraso.

Uma outra atitude.


Muito se tem dito e escrito sobre o encerramento dos Estaleiros Navais do Mondego, mas ainda não vi ninguém levantar uma das questões mais importantes, na minha modesta opinião, para poder viabilizar qualquer investimento que o ressuscite

Já tive a oportunidade de falar disso na última reunião de câmara e prende-se com o facto, de hoje mais do que nunca, ser impossível obter um financiamento bancário para um investimento num terreno que está condicionado a licenças anuais renováveis. Que segurança se transmite a um investidor e à banca, com um contracto de “concessão” desta natureza?

Querer voltar a ter os estaleiros a funcionar passa pela resolução dos problemas que têm afastado alguns investidores e não pelas proclamações de boa vontade, ou reivindicações vãs. Como na maioria dos problemas que temos nesta cidade, o que se exige é atitude.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Será que não têm nada de novo para divulgar ?


Confesso que tive de ir ver a data da notícia, porque achei que estava a ler um jornal de fins de 2009. O Volvo está "guardado" na garagem da câmara há dois anos. Na falta de ter alguma coisa de útil para anunciar, o executivo inventa noticias.

Já era tempo....


Já vai sendo tempo de iniciar a discussão do futuro das empresas municipais. Para quem fez a campanha eleitoral anunciando como prioritário a extinção das empresas, não se compreende como é que ao fim de dois anos não consegue pelo menos iniciar a discussão em sede de câmara municipal.

De regresso


Após 16 meses de interrupção, em que utilizei fundamentalmente o Facebook para dar conta do trabalho que os vereadores eleitos pelo PSD têm feito na Câmara Municipal da Figueira da Foz, decidi voltar a usar este blogue para ir dando nota da minha actividade política/partidária.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um exemplo


Dei-me conta esta semana em conversa de amigos, que há poucos dias os alunos da Escola Secundária Joaquim de carvalho tinham escolhido a sua nova Associação de Estudantes.

Partindo do principio que os meus amigos, que tiveram filhos envolvidos na contenda eleitoral, foram rigorosos na forma como me reproduziram a campanha eleitoral, não posso deixar de me congratular pelo conteúdo das propostas apresentadas e pelo elevado nível com que decorreu toda a campanha, bem como pelo espírito fraterno e solidário que presidiu à postura das duas listas em debate.

Resultante de um acordo pré-eleitoral a lista vencedora convidará 3 elementos da lista derrotada para fazer parte da nova Associação, sendo um deles a cabeça de lista. Este é apenas um ensinamento dos muitos que estes jovens nos deixam a todos. Parabéns!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A (in) Segurança


Como tive oportunidade de referir ontem em reunião de câmara, as questões de segurança, não devem por regra ser tratadas em público. A segurança é um tema com o qual devemos ter o maior cuidado e não permitir que a demagogia tome conta da discussão. Mas exigir que respeitem a cidade que representamos, não é ser demagogo é ser responsável.
Acontece, que se não obtivermos sucesso nas nossas pretensões durante a fase de tratar dos assuntos no recato dos gabinetes, temos que partir para a etapa de defender publicamente os nossos interesses.

Foi exactamente isso que defendi na reunião de câmara. Fazendo,aliás, justiça ao Presidente da Câmara que cuidou, em tempo, de tentar que o policiamento na figueira da Foz fosse reforçado durante a época balnear, não posso deixar de o criticar por aceitar como “menino” bem comportado às ordens do governo, as explicações da tutela e permitir que a Figueira não tenha o mesmo tratamento que outras cidades balneares e que o Corpo de Intervenção da PSP não estivesse por cá todo o verão.

É indiscutível que a cidade viveu durante estes meses de verão um clima de insegurança subjectiva ou psicológica, como lhe queiram chamar, pelos inúmeros casos de violência que ocorreram. Bem sei, que os números quando comparados com outros cantos do país são insignificantes, mas só devemos comparar o que é comparável. Todos sabemos que a Figueira é uma cidade segura, quando comparada com a Área Metropolitana de Lisboa, desde logo pelo número de pessoas que vivem numa e outra parte do território nacional, mas isso não significa que se possa permitir que a violência vá crescendo até atingir os tais níveis de preocupação que justifiquem a acção.

A presença do Corpo de Intervenção durante o verão na Figueira da Foz é por si só um factor dissuasor de violência, ao mesmo tempo que permite que se instale nas pessoas uma sensação de segurança efectiva, isto numa cidade que quer ter no turismo um motor de desenvolvimento económico é fundamental.
É devida uma palavra de reconhecimento ao Grupo de Intervenção Rápido da PSP local, que apesar dos parcos meios ainda permitiram que a situação não se tenha agravado mais.
Infelizmente para o Presidente da Câmara, o importante são os números e as estatísticas e realmente nesse campeonato, por ora, estamos menos mal que outros, mas o importante não é a estatística é o sentimento colectivo de segurança que devemos preservar, principalmente porque dependemos dele para ter sucesso enquanto destino turístico.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Incêndios, o problema não está no combate!

Publiquei hoje no Diário de Coimbra o artigo de opinião que aqui reproduzo. É um humilde contributo para centrar a discussão dos incêndios, já que nós temos o velho hábito de “só nos lembrarmos de Santa Barbara quando está a trovejar”.




O Ministro da Agricultura, que andava mudo, fez uma verdadeira fuga para a frente ao propor, esta semana, que o Estado nacionalize os terrenos de todos os que se abstém de tomar conta das suas florestas. Importa lembrar que as matas nacionais representam apenas três por cento da nossa mancha florestal. Se juntarmos os baldios subimos para 12% na área da responsabilidade estatal. Mas, se nem destes 12% o Estado sabe cuidar, como é que se pretende aumentar a área florestal estatal?

Logo o Ministério da Agricultura que reduziu as equipas de sapadores florestais; que tem uma taxa de execução do PRODER inferior a 1%, no que se refere ao apoio às actividades florestais; que parou com a criação das Zonas de intervenção Florestal (ZIF); que destruiu os Grupos de Apoio ao Uso do Fogo (GAUF). E ainda, o Ministério que, recentemente, viu as chefias intermédias da Autoridade Florestal sem disponibilidade para se manterem, por manifesta falta de condições.

De vez em quando, há um Ministro que, não sabendo o que dizer, remata uns disparates. Já uma vez tivemos um que veio culpar os ex-combatentes, «porque há muita gente que serviu nas ex-colónias e que inconscientemente levou armas ou granadas para casa». Mas esta do Ministro da Agricultura vir propor a nacionalização dos terrenos florestais, para além de entrar no anedotário nacional, demonstra a irresponsabilidade com que este Ministério trata a política florestal.

Quem também deveria estar a dar a cara neste momento era a Ministra do Ambiente para explicar porque é que o Instituto Geográfico Português, que tutela, ainda não concluiu o cadastro florestal. De que serve ter leis que obriguem as pessoas a limpar as suas áreas florestais se, em caso de incumprimento, as autoridades não sabem quem notificar?

O debate sobre o problema dos incêndios em Portugal está invertido. Os protagonistas do combate aos fogos assumem o papel principal enquanto os verdadeiros responsáveis se mantém num plano secundário, mudo, à espera que esta estação abrasadora passe sem os queimar.

O País não tem, como nenhum outro tem, todos os meios necessários para dar resposta a este flagelo nos momentos mais agudos apesar de ter havido, na última década, um investimento significativo nos meios de combate aos incêndios e na estruturação da Autoridade de Protecção Civil. Tive a oportunidade de fazer parte de duas Comissões Parlamentares de Acompanhamento e Avaliação da Politica Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios e pude testemunhar o esforço feito, um pouco por todo o País, pelas corporações de bombeiros para se equiparem cada vez melhor e as tentativas para que, ao nível do comando, os erros do passado não se repetissem.
O problema dos incêndios não é o do combate. Não está ao nível da esfera do Ministério da Administração Interna e da Protecção Civil, apesar de, evidentemente, haver sempre erros por corrigir. Aliás o Ministro e o Secretário de Estado fazem-me sempre lembrar o guarda-redes no momento da marcação do penalty, tentando defender os erros que herdam de outro. O que importa saber é quem cometeu a falta. E, neste caso, os faltosos são os Ministérios da Agricultura e do Ambiente. O problema reside na total irresponsabilidade de o Governo não ter uma política florestal.
O “filme” a que assistimos novamente neste Verão pode ter, mais uma vez, os actores principais de férias e os que deveriam ter o papel secundário em pleno no ecrã. De uma coisa temos a certeza: é que as cinzas que se espalham pelo País transformam-no num filme mais preto do que branco.